Vamo andando aí

01

Sentado na cama, tirou os sapatos com os pés. Estava cansado demais para realizar todo o esforço necessário para se abaixar e desamarrar os cadarços. Tonto demais para abaixar a cabeça. Ajeitou-se na cama, apoiando-se no travesseiro e mirou o teto.

O teto girava.

O teto girava e ele conseguia ver através do teto, a noite escura, os pontinhos brancos, estrelas. Dançavam, formando palavras e rostos e sorrisos.

Ele sorriu junto.

Contemplando o teto escuro — o qual julgava ser um céu estrelado —, repensou tudo o que havia acontecido naquela noite. Ficou enjoado, pela enésima vez na noite. O teto estrelado desenhava as cenas, enjoando-o cada vez mais. Sentiu seus músculos se retesarem, um arrepio repentino.

Virou para o lado e vomitou no tapete.

+ + +

Levantou-se furioso com a campainha tocando. Era de manhã. Na verdade, já era a hora do almoço pra qualquer pessoa normal, mas, para ele, era de manhã. Girou a chave preparando meia dúzia de palavrões e, quando abriu a porta, ela simplesmente se jogou em cima dele, num abraço apertado, demorado, cheiroso.

+++

Enquanto isso, na vida real, ele roncava furiosamente enquanto o carteiro, de fato, tocava a campainha.

untitled

surprise
sometimes
will come around

ae

in the house
time is sweet
I hear the children playing in the street
a aa aa aa aa

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