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Sentado na cama, tirou os sapatos com os pés. Estava cansado demais para realizar todo o esforço necessário para se abaixar e desamarrar os cadarços. Tonto demais para abaixar a cabeça. Ajeitou-se na cama, apoiando-se no travesseiro e mirou o teto.
O teto girava.
O teto girava e ele conseguia ver através do teto, a noite escura, os pontinhos brancos, estrelas. Dançavam, formando palavras e rostos e sorrisos.
Ele sorriu junto.
Contemplando o teto escuro — o qual julgava ser um céu estrelado —, repensou tudo o que havia acontecido naquela noite. Ficou enjoado, pela enésima vez na noite. O teto estrelado desenhava as cenas, enjoando-o cada vez mais. Sentiu seus músculos se retesarem, um arrepio repentino.
Virou para o lado e vomitou no tapete.
+ + +
Levantou-se furioso com a campainha tocando. Era de manhã. Na verdade, já era a hora do almoço pra qualquer pessoa normal, mas, para ele, era de manhã. Girou a chave preparando meia dúzia de palavrões e, quando abriu a porta, ela simplesmente se jogou em cima dele, num abraço apertado, demorado, cheiroso.
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Enquanto isso, na vida real, ele roncava furiosamente enquanto o carteiro, de fato, tocava a campainha.