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O Fluminense de Pep Guardiola

Acho que o sonho de qualquer torcedor brasileiro é ter o Pep Guardiola no comando do seu time. Agora que o cara saiu do Barcelona, fiquei pensando em como seria o Fluminense sob o comando do cabra que ganhou uma porcentagem razoável dos títulos que disputou tanto na Espanha quanto fora dela. E a conclusão que eu cheguei é: daria uma merda sem precedentes.

Bom, vamos por partes. Acompanhem na prancheta.

Podem me chamar de Papai Joel

1) No gol. A parte que menos preocupa. Diego Cavalieri é um puta goleiro e ponto final. A questão é como ele se comportaria tendo de atuar como líbero, uma das principais características do Valdés sob a batuta do Guardiola.

2) O principal problema, evidentemente, reside na zaga. Aliás, qualquer técnico, em qualquer esquema, teria problemas com uma zaga cujas opções são Gum, Anderson, Digão, Leandro Euzébio e Elivélton ‘Caveirinha’. O Barça de Guardiola atuava com uma linha defensiva na altura do meio-campo, o que requisita duas coisas:

  1. Zagueiros que saibam efetivamente jogar com a bola nos pés;
  2.  Zagueiros rápidos.

Coisas que decididamente o Fluminense não tem.

O que mais se aproximaria dessas características seria o Elivélton, que é mais baixo e rápido. Mal comparando – como qualquer comparação dessa análise – ele tem características mais próximas do Puyol, que tem 1.78 (Caveirinha tem 1.79) e é excelente na cobertura do zagueiro grande, o Piqué. Quando o Puyol não jogava, jogava o Mascherano, que tem 1.74. Ou seja, sempre um zagueiro pequeno e um zagueiro grande. E jogando no meio-campo.

Isso nunca ia dar certo com Gum e Anderson, por exemplo.

Primeiro porque eles definitivamente não sabem jogar bola e segundo que, se estivessem colados na linha de fundo, conseguiriam tomar bola nas costas sem ser escanteio. Imagina jogando no meio-campo.

3) Outro problema é nas laterais. Com o saudoso Abidal, era quase uma linha de três zagueiros. A única vez que eu vi o Carlinhos preso na linha da marcação foi em 2011, quando o Flu perdeu pro América do México, lá no México, por 1 a 0 – e o gol saiu em cima dele. Carlinhos melhorou na marcação mas é sonolento e, convenhamos, colocá-lo na linha da zaga é coisa de MONGOLOIDE (perdeu o acento?).

Bruno, por outro lado, ia se sentir mais à vontade. Ia jogar mais livre (embora ele marque melhor do que ataque) e com muita liberdade ofensiva. Sem falar que ele já tem aquela jogadinha IRRITANTE do Daniel Alves (que acha que é meia), de levar a bola toda hora pra dentro.

4) Cabeça-de-área. O Busquets é um cara bem burocrático e o Edinho é um cara bem ruim. Só que o Edinho acha que é bom. Ele teria que ficar de olho na cobertura do lado direito, recompor a zaga e ainda sair com a bola pra um dos dois meias, mas ele com certeza ia GERSONIZAR o jogo e dar uma inversão de três dedos de 45 metros buscando o ponta-esquerda (a bola eventualmente sairia em ESCANTEIO pro adversário), ia marcar o meia adversário de longe (como sempre) e cobrir o lateral errado.

5) Os meias. O Barça tinha o Xavi (passador) e o Iniesta (driblador). O Xavi, ali, seria o Deco, tranquilamente. Quanto a isso, todos estamos tranquilos. O problema é: quem seria o Iniesta? Há quem dirá Thiago Neves. Há quem dirá Jean. Eu digo WAGNER. Beleza que ele não se adaptou ao futebol brasileiro mas, contra o Boca, ficou claro que ele tem uma boa noção de posicionamento, o que seria FLUNDAMENTAL pra cobrir o Bruno. Porém, se o Pep escalasse o time em seu primeiro jogo com base no vídeo dos jogos anteriores, colocaria o Jean, que acha que é o Davids pra sair driblando meio time.

6) O ponto central do time é quem seria o Messi, o atacante que flutua pelo campo todo – o “falso nove”, como foi determinado por “consenso geral”. Há quem diga que Thiago Neves seria esse jogador, por conta de seu poder de finalização, mas analisando o porte físico e o estilo de jogo, afirmo com tranquilidade que Wellington Nem é o falso nove ideal. Ele é rápido, criativo e dribla bem. Não tem o poder de finalização do Messi (quem tem?), mas acho que se encaixaria bem, até porque ele é raçudo e ia compor bem na marcação. Reparem que ele tem setinhas pra todos os lados, porque é isso que o Messi faz, né? Thiago Neves seria o ponta-direita – tipo como o Villa jogava antes da lesão e como ele jogou na Copa do Mundo, só que do lado contrário. Trazendo pra dentro e batendo, do jeito que se consagrou na Libertadores de 2008.

7) A grande questão é: onde enfiar o Fred? É válido ressaltar que estamos analisando sobre o esquema de jogo do Barcelona, sem adaptá-lo ao Flu, mas adaptando o Flu ao esquema. Eles jogavam sem uma referência e com jogadores essencialmente leves. Fred é um jogador de área e pesado. Ok, ele tem uma técnica apurada, mas onde colocá-lo? Se o principal atacante é o “falso nove” – no caso, o Nem -, o ideal seria que o capitão jogasse como o Villa, mas coloquei o Thiago Neves ali. E aí, vai tirar o cara do time? Quem caberia bem ali seria o Marcos Júnior, jogando como o Pedro: correria pelas pontas, mas o Pedro sabe fazer gol, enquanto o Marcos Júnior ainda não sabe nem se o nome dele tem ou não tem “r” no final. Aí, voltamos um pouco os anos e ressucitamos o Barcelona de Ibrahimovic: Fred seria uma referência mais móvel. Porém, como sabemos que mais cedo ou mais tarde ele iria se machucar, não precisamos perder tanto tempo analisando seu papel nesse time.

Agora imagina esse time jogando no estilo do Barcelona. Toques curtos, rápidos, infiltrações em velocidade. A bola saiu curta com Gum e Anderson, que trocam alguns passes, Deco recua e busca a bola. Sai com Wagner, que devolve, eles trocam passes na intermediária. A bola chega em Bruno, que tabela com Thiago Neves e traz pra dentro, pra Fred, que volta pra Deco. Wellington Nem recua e recebe, dribla todo mundo e toca por cobertura. So beautiful.

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